Rita Gaspar Vieira |

, 07/06/2018

Detalhes

RITA GASPAR VIEIRA "O CAMINHO DAS FORMIGAS" | ESPAÇO TÉRREO

Sabemos que as formigas se deslocam umas atrás das outras, perfiladas, alinhadas, todas na mesma direção e, sabemos ainda que, é desse modo que elas orientam o seu sentido do regresso. Isto porque, ao longo do seu trilho, depositam uma substância química que lhes permite encontrarem o caminho de torna viagem ao formigueiro. Se passarmos o dedo pelo carreiro, removendo os feromônios depositados naquela área, as formigas ficam desorientadas e perdem a capacidade de voltar ao formigueiro. Esta imagem é, para mim, o mote para esta exposição e acredito que, muitas das obras de Rita Gaspar Vieira, resultam deste ‘passar o dedo’, que proporciona uma interrupção no quotidiano, que a artista usa como estratégia metodológica no seu processo criativo. Perante as suas obras, somos deslocados para a condição de formigas que, diariamente constroem, com a ajuda do feromônio, o seu quotidiano. Este quotidiano, que se constitui de repetições desenvolvidas quase alienadamente, é subitamente interrompido por este passar de dedo que são as obras de Rita Gaspar Vieira. Perante elas, o nosso caminho é interrompido e somos confrontados, primeiro com a própria quebra para, de seguida, descobrirmos que esta quebra ou fissura no nosso espaço-tempo é uma intenção íntima do plano estratégico que a artista, meticulosamente, ensaiou para nos conduzir a questionar cada um dos movimentos ou ações que, diariamente repetimos, mas dos quais nem sempre consciencializamos as reais implicações. (Texto Nuno Sousa Vieira)

 

Sobre a artista

(Leiria, 1976) Vive e trabalha entre Lisboa e Leiria.
Rita Gaspar Vieira é licenciada em Artes Plásticas – Pintura, Mestre em Teorias da Arte e Doutorada em Belas-Artes na especialidade de Desenho. Toda a formação académica foi realizada na FBAUL, em Lisboa. Paralelamente à sua carreira artística, Rita Gaspar Vieira tem vindo a desenvolver uma atividade ligada à docência no IPT, em Tomar. Iniciou a sua atividade expositiva na segunda metade da década atual. Expõe regularmente no âmbito nacional, tendo como intervenção em espaços públicos a obra S.P.M. (com parceria de Nuno Sousa Vieira), no Jardim de S. Agostinho, Leiria, realizada em 2004.
Destacam-se as seguintes exposições individuais: Em 2016, Voyage autour de ma chambre – Projeto Q22, Colégio das Artes, Coimbra; em 2015, R/C Esq., Avenida de Madrid, Lisboa; em 2014, Marca D’Água #1 – Projeto para Empty Cube (projeto comissariado por João Silvério); Linha D'Água, Museu de Santa Clara-a-velha, Cíclo Espelho, Coimbra (exposição comissariada por Andreia Poças) e Lugar Casa, Círculo de Artes Plásticas de Coimbra – Sede, Coimbra (exposição comissariada por Andreia Poças). Em 2012, Mapas para Efetivar o Quotidiano, Gal. Do Moinho de Papel, Leiria e em 2009, De nó a nó, Espaço A9, Leiria. Das exposições coletivas destacam-se: em 2016, Reserva Aberta, Coleção do Círculo, Círculo Sede, Coimbra; em 2014, A Vanguarda Está Em Ti, Museu Municipal de Coimbra, Ed. Chiado; em 2006, OPÇÕES E FUTUROS #2, obras da coleção da fundação P.L.M.J. (comissariada por Miguel Amado), Espaço A.C., Lisboa; Por Causa De Ver, Galeria Palácio Galveias, Lisboa e NRG´S, scenery – 3ªsérie, Interpress, Bairro Alto, Lisboa. Em 2005, 13 : sete, scenery – 2ªsérie (comissariada por Miguel Amado), Galeria Sete, Coimbra. O seu trabalho está representado nas coleções: Coleção PLMJ, Câmara Municipal de Leiria e em algumas coleções privadas. 

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