Projeto RIZOMA - 2ª coletiva de artistas 2019

à partir de 14/12, 14/12/2019

Detalhes

Com os artistas: 
Henrique Detomi
Danielle Noronha 
Cristina Ataíde 
Marcelo Gandhi 
Fernando Soares 
Manu Leite
Paulo Ramos 
O Projeto Rizoma encerra as atividades de 2019 com a exibição dos artistas que participaram no segundo semestre deste ano. Em março, demos início as nossas atividades, com o sentimento de germinação e acolhimento, tanto para receber como para ser recebido pelos artistas que passaram por nossos primeiros ciclos. Chegamos, agora, com a sensação de ter as raízes bem fixadas e os caules esparramados sobre o chão da experimentação, dos processos e da criação, prontos para um novo ciclo no próximo ano.
Com a exposição, pretendemos apresentar os resultados e processos, os adensamentos e desdobramentos desenvolvidos pelos participantes dessa temporada. Nesse processo, cada participante desenvolveu sua pesquisa de formas diversas, alguns trouxeram projetos, outros deram continuidade a sua produção de ateliê. Danielle Noronha trabalhou com aquarela, realizando pinturas a partir de modelos vivos. Nesse processo, Danielle procurou trabalhar com a situação instaurada entre modelo, ambiente e artista, em detrimento de uma relação entre modelo e imagem. Em seus trabalhos, vemos escalas de sensações, que se modificam com as camadas de construção e sobreposição de manchas e cores. Henrique Detomi trouxe para o projeto seu olhar agudo sobre a paisagem. Henrique pinta como quem constrói, usando camadas grossas de material. Suas imagens formam blocos matéricos, quase que trazendo de volta para o espaço suas paisagens. Nesse processo de construção, há quase sempre um “espaço vazio” de imagem ou de matéria, que ora pode ser preenchido pelo olhar, ora pode ser preenchido por narrativas.
Cristina Ataíde deu continuidade a uma viagem que realizou pela Floresta Amazônica, coletando relatos, imagens, folhas, galhos por onde passou. Cristina foi testemunha ocular da devastação provocada pelos incêndios criminosos no território amazônico. Em seu projeto, mesclou os objetos recolhidos, com mapas, desenhos pigmentados com urucum, aludindo ao vermelho das queimadas, e mantas térmicas usadas em primeiros socorros. Cristina realizou uma série de trabalhos que remetem à urgência das questões ambientais. “Necroantropoceno”, por Marcelo Gandhi, traz um conjunto de trabalhos em linguagens diversas, que passam pelo desenho, pela gravura, pelo objeto e pela performance. A construção de sentidos no trabalho de Gandhi passa por conjuntos de informações sobre cultura pop e objetos do cotidiano. Seu olhar sobre a junção desses elementos invoca as relações de poder, violência e morte, provocadas a partir da estrutura social e da necropolítica. O conjunto de desenhos sobre papel vegetal apresentado em “Necroantropoceno” mescla contorno de animais com ossos e crânio humano, sempre acompanhado de armas. Seriam essas figuras zoomórficas, figuras mitológicas que anunciam o apocalipse? Ou a presença do humano, esse ser tão novo sobre a terra, a própria manifestação do apocalipse?
Fernando Soares trabalhou com objetos pictóricos. A borracha “câmara de ar” foi seu ponto de partida para a construção desses objetos. Parte da sua produção consistiu na construção de áreas de tensão delimitadas por chassis de madeira. Em alguns trabalhos podemos ver o percurso percorrido por esse material, percurso esse que é desviado ou mantido por um campo de tensão provocado pela força de sua elasticidade. Em seu outro trabalho “linguagem matérica”, Fernando realiza o oposto da ação, o material é fixado direto na parede. A falta da tensão presente nos outros trabalhos permite que a força da gravidade atue sobre as tiras de borracha, que dobram sobre si, e como em um gesto formam um alfabeto imaginário. Rodrigo Pedrosa tem mãos habilidosas e ágeis, trabalhando com escultura de figuras humanas em gesso. Rodrigo destaca a sujeição do humano, as intempéries da natureza e do tempo, o corpo que se desfaz durante a vida. Em outros momentos destaca as dificuldades da vida em sociedade, a massificação, a monotonia, a depressão. O caráter reprodutivo e efêmero de sua obra, quase sempre em posição fetal ou de cabeça baixa, invoca a fragilidade do ser que se perde em meio à multidão. Caso se quebre, pode ser substituído imediatamente por outro. Suas esculturas estão em estado permanente de tensão, invocando uma performatividade e um estado constante de inacabamento. Seu trabalho se dá por finalizado quando quebra ou quando é substituído?
E encerrando o ciclo deste ano, Manu Leite, em parceria com Paulo Ramos, realizou o conjunto de trabalhos “Os Jogos da Vida Doméstica”. Manu cria uma série de jogos de tabuleiros, para discutir estereótipos e a divisão sexual do trabalho doméstico. Lançando mão de corres intensas, os jogos colocam uma figura masculina em processo educativo para realização das atividades domésticas. Apesar do caráter lúdico e da alusão aos brinquedos educativos infantis, “Os Jogos da Vida Doméstica” só é ativado a partir da interação e da prática. Manu traz seu trabalho para o campo da experiência e, com esse gesto, destaca o exercício exaustivo e diário da luta pela igualdade de gênero.
 
 

à partir de 14/12

Projeto RIZOMA - 2ª coletiva de artistas 2019