Evandro Angerami

, 28/02/2018

Detalhes

Sobre os olhos, o infinito: uma imensa escuridão, cortada por pequenos fragmentos de luz, vestígios de algo que já não existe mais. Sob as costas, um mundo desconhecido submerso num mar revolto. A imagem de um ser à deriva foi o que inspirou Náufrago em mim, série e mostra que o artista Evandro Angerami apresenta a partir de 28 de fevereiro na galeria Andrea Rehder Arte Contemporânea. Com curadoria de Márcio Harum, a exposição reúne cerca de 10 trabalhos de Angerami, frutos da produção mais recente do pintor. Ainda inéditos, muitos deles investigam os territórios de sua existência - conjunto de paisagens internas e externas, construídas pela amálgama de experiências, memórias, ambientes e pessoas que o seguem em sua trajetória. Rasgada por traços fortes e pontiagudos, as pinturas introspectivas do artista assemelham-se a icebergs, amontoados gigantescos de gelo que paradoxalmente flutuam pelo mar e sobre os quais pouco se conhece. Ainda que na superfície, mantêm-se quase que inteiramente submersos, latentes. Tal investigação se revela ao espectador na forte presença de silhuetas humanas indecifráveis. "A partir do esboço de um sujeito, Angerami constrói aquilo que define como 'paisagens das pessoas', resultado de uma perspectiva emocional interna que cresce e se manifesta a cada movimento", afirma o curador. Nesse sentido, pouco a pouco, aquilo que surgiu como contorno impreciso de um corpo, ganha rigidez e se transforma nas figuras pungentes onipresentes da série. "Com nuances de uma retomada expressionista, essas imagens também dialogam com uma cultura visual soviética e futurista, que imprime e reforça a densidade do imaginário do artista", pontua Harum. A seu ver, tais referências são resquícios, mesmo que inconscientes, das viagens recentes que Angerami fez à Rússia ao longo dos últimos anos.

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