Da NATUREZA, ressonâncias craqueladas

Alessandra Rehder, 30/08/2018

Detalhes

''Alessandra Rehder apresenta, na exposição, obras de arte que se estruturam como instalação singular, cujo tema é a Natureza. Nesse sentido, os desdobramentos das abordagens projetadas pela artista visam a expressar o clamor da Natureza pelos espaços que, violentamente, dela roubamos.
Nessa linha, o trânsito pelas salas do site arquitetônico que recebe a exposição sugere, ao visitante, um recinto expositivo destinado a resgatar, onírica e ludicamente, num primeiro olhar, a postura estética, como um frame formatado por argumentos estéticos de contemplação e de desfrute do ambiente natural. Uma reconexão contemplativa com a Natureza, tonificadora dos sentidos.
Para tanto, a artista extrai seus manifestos visuais de processos de transformações naturais, ou pela Natureza induzidos, que se referem ao que o Homem ativa no ambiente natural. Refletir nessa manipulação sobre os processos leva a artista a expressar o refletido sob a forma de particulares discursos estéticos, com o intuito de radiografar a realidade e de denunciá-la. Da matriz natural, eclodem desdobramentos referenciais das ações do Homem e de suas responsabilidades por elas, pelo detrimento da vida e da sobrevivência no mundo.
 Rehder ativa a imaginação criativa e crítica do espectador, por meio de seus recortes e texturas marcantes, como na obra “Nepal”, que nos remete a sustentos pictóricos, ou em “Pau Ferro”, referência ao início das instalações na arte contemporânea. Ou, ainda, na série “Orvalhos”, que corrobora as conexões interdisciplinares entre a arte e a vida, bem como o potencial cognitivo da artista, ou também na série “Fragmentos”, de vidros recortados, que age como metáfora da maleável fragilidade dos processos, de possíveis rupturas nas frágeis e voláteis relações entre os seres humanos e seu entorno natural. Já na série “Todos os olhos”, com relevância à sobrevivência e à confiança no futuro, crianças de várias partes do mundo, a partir do registro digital da artista, agitam a espiral ascendente de alegria e de confiança num porvir, no Universo, de luzes e de cores límpidas, transparentes, cheirosas e harmoniosas.
Ao mesmo tempo, nas diversas modalidades artísticas contemporâneas que Rehder explora e que transporta para manifestos visuais, com insistentes potencialidades abstratas, a jovem artista profere, patenteia e denuncia, com firmeza, a urgência de agirmos para preservar a Natureza. A pretensão é estimular o comprometimento individual, desde a arte, com essa urgência, assim como a atitude crítica particular para solucionar tais questões.''

Andrés I. M. Hernández
Curador, professor, crítico de arte e produtor.
São Paulo, inverno de 2018
 

Alessandra Rehder

Da NATUREZA, ressonâncias craqueladas