Marcus André

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Biografia

A pintura de Marcus Andre manifesta essa incomum capacidade de prestar o inevitável tributo á história da arte, sem permitir que ela domine a cena ao ponto de eclipsar o trabalho do presente. Desde a técnica escolhida- encáustica – ao artesão como atividade de fazer e refazer cada superfície, num processo de acumulação por subtração de excesso, a tradição alcança um bom ponto de condensação, está presente, mas não é tão poderosamente ativa quanto um pensamento pictórico materializou-se diante dos nossos olhos. Não há traços miméticos- o gesto é trabalho, auto apagado em nome do elemento concebido. O corpo não é um transportador de impulsos reagindo a ordens de uma dada cultura; pelo contrário, materializa e torna visível a ação do verbo. Mas isso não significa que vai editar os momentos de indecisão – a forma hesita porque não é a consequência de um programa ditado a priori. A forma está no intercambio permanente entre fazer e pensar; parece apenas hesitar porque exibe abertamente esse intercambio e evoca o mesmo movimento do olho que detecta. O elogio da pintura como experiencia externa produz qualidades inesperadas, como paleta contendo tons que não podem ser encontradas em qualquer pigmento puro, e onde a opacidade é frequentemente alcançada por um acumulo de transparências. As pinturas se abrem como horizontes que cobrem a paisagem real saturada e parecem desafiá-la. Renunciam à nitidez das figuras, à referência explícita a corpos e gestos, e permanecem como imagens possíveis de uma paisagem habitada por essa pintura e seu pensamento.